sábado, 5 de março de 2011


Ao avesso

Amar ao avesso é odiar sentir o peito arder quando está tomado
pelo cheiro,
que sempre é sentido ao fechar os olhos,
pela voz,
que o ouvido se recusa a esquecer.
É odiar a falta que sente do outro e é, também,
Odiar os cavalos cavalgando no coração ao escutar

O doce nome que se quer esquecer.

Lauriane Baldez.

Hoje
O dia hoje resolveu
que seria a lembrança triste
de uma cantiga de roda
embalada pelo som do vento.

Lauriane Baldez

Pela Manhã

Pela manhã o medo não nos incomoda.

Há apenas a sensação da imortalidade.

É Ícaro voando sem medo do sol,

Sentindo o vento no rosto, a brisa do mar...

Quando a tarde chega, descobrimos que, ao cairmos,

Somos seres mortais.

É Ícaro sentindo o sol desfazer suas asas.

A noite traz com ela a desesperança

Que todo sonhador tem medo.

É Ícaro, em queda livre, sentido medo de pertencer ao mar.


Lauriane Baldez.